Dicas

PRECISANDO DE AJUDA COM SEU CÃOZINHO?

Quando adquirimos um cão, estamos realmente introduzindo um novo integrante à nossa família. Sendo assim ele é parte importante de nosso cotidiano e deve estar em sintonia com todas as regras estabelecidas dentro da casa, favorecendo uma convivência mais saudável com o resto da família.

A única diferença é que ele não se comunica da mesma forma que nós humanos e ensiná-lo a cumprir algumas dessas regras criadas por nós pode ser um pouco diferente do que imaginamos mas fazê-lo é nada mais que a nossa obrigação para que ele possa ser cobrado por seus comportamentos. Digo isso porque na cabeça de um cão pode ser muito lógico fazer xixi nos tapetes da casa, cavar o jardim e rosnar para defender sua própria comida mas essas não são condutas desejáveis para o convívio conosco e é isso que devemos dizer a ele.

Portanto para que possamos ter uma convivência tranqüila com nossos parentes de quatro patas, devemos envolver a família toda nesse processo de educação e ajudá-lo a entender que se comportando da forma que desejamos será muito mais vantajoso para ele pois receberá mais carinho, atenção e terá muito mais liberdade e proximidade com a família. O valor de um cão está em seu comportamento e só com nossa ajuda ele pode se desenvolver e superar todas as nossas expectativas.

Aqui temos algumas dicas para resolver problemas comuns que muitos proprietários enfrentam no dia-a-dia. Essas soluções não são regras e podem sofrer alterações de acordo com o temperamento do cão ou o contexto em que acontece o comportamento indesejado. Caso não consiga sozinho, ficaremos muito felizes em ajudá-lo.

    • Não pular em você e nem em visitas
    • Obedecer quando chamado
    • Não brincar mordendo
    • Não latir para chamar a atenção
    • Ansiedade de separação

NÃO PULAR EM VOCÊ NEM EM VISITAS

Esse comportamento é muito comum entre cães mais jovens e geralmente foi “ensinado” pelos próprios donos do cão quando ele era pequeno, mesmo que sem querer. Posso até explicar como isso aconteceu.

Quando o cão é filhote e coloca suas patas no dono, na maioria das vezes ele é recebido com carinho. Assim confirmamos e premiamos esse comportamento com todo o nosso afeto. Em muitas vezes é o próprio dono quem chega a pegar o cão no colo para dar carinho, sem se dar conta que esse filhote vai crescer e querer receber o mesmo carinho que recebia na altura do colo quando era mais novo. Sendo assim, imaginem a confusão que geramos na cabeça do cão que sempre pôde pular e agora, só porque cresceu, seu comportamento de sempre se tornou errado.

Para que ele deixe de pular, devemos ensiná-lo uma forma muito mais efetiva de ganhar carinho, a forma como nós humanos gostamos de ser recebidos, que geralmente é com o cão sentado. Ensinando-o a sentar, pedindo que ele se sente sempre que o encontramos e recompensando-o (com carinho, petisco ou brinquedo) ele irá associar que é muito mais vantajoso para ele se sentar do que pular para chamar a nossa atenção. Pode ser difícil conseguir isso no momento que chegamos em casa, depois de um dia todo longe do cão, no início do treinamento. Por isso é muito importante que sejam realizadas pequenas sessões de aulas sempre que estivermos em casa e que ele estiver um pouco mais calmo e suscetível a obedecer ao comando.

O mais importante é que todos da família tratem o cão da mesma forma e não dêem carinho a ele quando pular. Fazendo isso estariam colocando todo o processo de educação a perder e confundindo mais ainda o cão. Há pessoas que gostam de receber esse tipo de “abraço”, nesse caso sugerimos que seja criado um comando para que o cão pule de uma forma mais controlada e só mediante ao comando do dono.

OBEDECER QUANDO CHAMADO

É muito bonito ver cães soltos no parque, interagindo com outros cachorros e pessoas livremente que, quando chamados pelo dono, voltam correndo espontaneamente. Isso é o sonho da grande maioria dos proprietários de cães que eu tenho contato mas, assim como outros comportamentos citados anteriormente, requer disciplina, treinamento e principalmente muito bom senso dos donos no dia-a-dia.

Devemos nos fiscalizar para não atribuir ao chamado um significado ruim ou duvidoso para o cão. chamá-lo para dar uma bronca ou mostrar algo que ele aprontou, além de não ser uma prática correta, só o deixará em dúvidas quanto ao seu objetivo em chamá-lo. Dentro de casa, sem nenhum tipo de distração, ele até pode ir ao encontro do dono por ter a uma pequena possibilidade de ganhar um carinho ou petisco em outros lugares, mas em condições mais favoráveis para ele, como estar brincando com outros cães na praça ou tendo a possibilidade de perseguir uma bicicleta na rua, o chamado não terá valor suficiente para que ele nos obedeça e assim irá preferir os outros estímulos do ambiente ao chamado.

Partindo desse ponto, só podemos chamar o cão até nós se ele obtiver grande vantagem com isso (comida, carinho, brinquedo, etc.), sem deixar dúvidas que vir até nós é sempre melhor do que o que está acontecendo ao redor. Isso não é algo treinável na rua. Todo o processo deve-se iniciar em casa, onde não há nenhum risco de fuga do cão. Brincadeiras de esconde-esconde e chamados surpresa durante alguns períodos do dia são sempre bem-vindos e contribuem para que o cão crie interesse em vir até o dono. Quando ele já está bem condicionado em casa e queremos iniciar o treino na rua, sempre devemos fazer uso de material de segurança como uma guia longa ou fazer isso em um espaço cercado até o ponto do cão ficar confiável nas mais diversas situações encontradas no dia-a-dia. Lembramos que muitos cães não são e alguns nunca estarão aptos a ficar soltos na rua devido a uma série de fatores como: idade, temperamento inseguro, falta de socialização e habituação ou falta de controle dos donos. Portanto não aconselhamos que se solte cães sem o máximo de segurança e controle ou até o acompanhamento de um profissional. Se você tem dúvidas que o seu cão voltará quando chamado, mantenha-o na guia em segurança.

NÃO BRINCAR MORDENDO

Quem já viu cães brincando alguma vez sabe que esse tipo de brincadeira é muito comum no mundo canino, é um comportamento lógico mas não aceitável para nós humanos. Não é nada agradável quando levamos essas mordidas, mesmo que por brincadeira. O pior é que há muitas pessoas que estimulam esse comportamento incentivando o cão a brincar de “lutinhas“ na infância ou mesmo provocando-o com as mãos e dando beliscos em sua pele. Esse cachorro crescerá e a mordida que já não era algo bom se tornará dolorosa e perigosa para crianças e pessoas mais velhas.

Para inibir esse comportamento devemos ser muito consistentes em mostrar ao cão aquilo que valorizamos nele. Portanto, a partir do momento que ele começa a se exaltar e brincar de forma brusca, devemos mostrá-lo toda a nossa indiferença e “sair de cena“ sempre que esse comportamento ocorre. Quando ele já adquiriu esse comportamento, devemos propiciar situações que facilitem o nosso contato com o cão de uma forma mais calma, dando-o algo para ocupar a boca enquanto podemos alisá-lo e acariciá-lo e confirmar a ausência das mordidas. Podemos fazer isso dando a ele um brinquedo, osso (somente para cães que não apresentam-se agressivos com ossos) e principalmente petiscos líquidos. Esse tipo de petisco pode vir em uma embalagem do tipo roll-on onde o cão deve lamber o ponto certo para receber a recompensa. Enquanto ele se distrai com a recompensa, deve ser premiado e receber nosso carinho de forma calma.

Lembre-se que para dar a recompensa ao cão e iniciar a sessão de treinamento ele não deve estar te mordendo, pois dar uma recompensa nessa situação seria premia-lo por um comportamento errado. Esse treinamento deve ser feito em horários convenientes onde o cão já esteja mais cansado, depois de um longo passeio ou de qualquer período de atividade intensa seria o momento ideal para iniciar.

NÃO LATIR PARA CHAMAR A ATENÇÃO

Assim como em todos os casos anteriores a melhor solução é a prevenção. Mas principalmente nesse, quando recompensamos indevidamente o cão no início fica muito mais difícil de se resolver o problema.

O que as pessoas não entendem é que o objetivo do cão em latir é simplesmente atrair a nossa atenção e mesmo quando vamos até o cão para dar uma bronca, mandá-lo calar ou gritar com ele, mesmo que de longe, estamos respondendo a esse chamado e confirmando esse comportamento.

Na próxima vez que ele estiver se sentindo sozinho já sabe que é só latir e será questão de tempo para aparecermos. É comum que esse chamado se inicie mais durante a noite, quando o cão fica mais sozinho, depois passa a latir para conseguir tudo o que quer quando entende que é correspondido.

Para inibir esse comportamento devemos dar atenção ao cão somente quando ele não está latindo, nessa hora podemos interagir e fazer carinho, justamente para premiar o comportamento desejado. No instante em que ele começa a latir e insiste em chamar a nossa atenção dessa forma, deve ser tratado com total indiferença. A falta de atenção é a nossa melhor resposta para esse tipo de comportamento, para que o cão entenda que não obtém nenhuma vantagem em nos chamar latindo.

Deve-se também ser muito consistente para não resistir a um longo período ignorando os latidos do cão e depois de horas aparecer e dar uma bronca nele, pois ao fazer isso não estamos somente premiando-o por latir mas também ensinando-o que deve insistir por várias horas para ter seu chamado atendido.

Esse comportamento também pode ser fruto de uma série de fatores que devem ser observados antes de se iniciar o treinamento. Pode ser resultado da frustração do cão por não ter atividades suficientes ou interação com humanos o bastante em seu dia-a-dia.

O cão é um animal doméstico e como tal não deve ser deixado em casa sozinho o dia todo sem companhia, atividade e distração. Se o seu cão vive nessas condições, provavelmente ele poderá desenvolver alguns problemas comportamentais sérios.

ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO

Roer os móveis da casa, uivar, mutilar-se, arranhar as portas, falta de apetite. Todos esses problemas, que à primeira vista parecem não apresentar nenhum tipo de relação, podem estar ligados à mesma causa.

A ansiedade por separação é o que chamamos de doença dos cães modernos, que sofrem com a carência do ser humano e a sua falta de tempo livre para interagir com os cães. Em casos mais graves pode ser responsável por séria debilitação física e psicológica do cão. Portanto, se o seu cão apresenta alguns desses sinais, fique atento e mude a sua rotina o quanto antes. Se ainda não apresenta, siga nossas orientações para evitar uma dificuldade maior no futuro.

Trata-se mais uma vez de um erro de comunicação entre as pessoas e seus próprios cães, onde sem querer acabamos valorizando um comportamento indesejado e fazemos com que ele se repita com mais intensidade.

Costumo dizer aos meus clientes que nós temos muitas ocupações na vida como: família, amigos, trabalho e uma série de atividades e problemas. O cão só tem a nós e o que nós proporcionamos para ele, sendo assim, devemos estar atentos se ele possui a carga de atividades necessária para gastar sua energia e se manter psicologicamente saudável.

Devemos observar, entre outras coisas, se ele passeia com regularidade, tem um espaço físico suficiente, atividades na hora de se alimentar e brincar, uma rotina disciplinada (não especificadamente adestramento, mas se compreende e obedece as regras básicas de convivência da casa), se tem um ambiente que o estimule a exercer atividades enquanto estamos fora. Esse é o primeiro ponto, se estamos seguros disso e entendemos que nosso cão tem uma rotina saudável e estimulante, passamos para a segunda fase da análise.

Muitos donos, acham linda aquela festa que o cão faz quando chegamos em casa, ou a sua dependência em relação à família para sentir-se bem. Isso é um comportamento muito compreensível em nós humanos, que trabalhamos o dia todo, sofremos com a rotina do dia-a-dia e somos carentes à procura de alguém que reconheça a nossa importância. Um comportamento compreensível mas longe de ser correto. Nosso principal dever como bom dono de um cão é fazê-lo sentir-se bem mesmo na nossa ausência, seria egoísmo pensar o contrário. Portanto, devemos ensiná-lo também que ficar sozinho é bom e que ele não deve temer pois sempre voltaremos e não dando todo o carinho que podemos nas poucas horas no dia que o vemos, pois agindo assim estaríamos estimulando-o a sentir cada vez mais saudades desse momento de prazer para acabar com o peso na nossa consciência.

Carinho em demasia, excesso de “mimos“ e falta de disciplina são ferramentas poderosas para gerar problemas nos psicológicos nos cães e devem ser evitados à todo custo.

Condicionamos isso acostumando-o com essa situação de forma positiva, trata-se de um processo de habituação gradual onde acostumamos o cão com a nossa ausência aos poucos, sempre mantendo-o em condições favoráveis para que fique bem.

No início só podemos deixá-lo sozinho logo após uma boa caminhada ou um longo período de brincadeira, o ideal é que deixemos com o cão coisas para ele se distrair como: ossos, objetos com o nosso cheiro e até algum rádio ligado em volume baixo. Saímos do apartamento/casa e voltamos em pouquíssimo tempo, menos de um minuto. Fazendo isso ele praticamente não se importará com a nossa ausência e entenderá que obtém vantagens também com ela.

O tempo que ficamos longe do cão deve ser “fracionado“ o máximo possível, evitando longos períodos de estresse e associação negativa. Se temos a possibilidade de passar em casa na hora do almoço, dar um passeio com o cão e verificar se ele está em boas condições, será sempre muito benéfico. Na seqüência do treinamento devemos aumentar gradativamente o tempo em que ficamos ausentes até que se torne o mais próximo da nossa realidade e cumpra com as nossas necessidades diárias, sempre usando o bom senso e respeitando o limite de cada cão.